Voltar

A escola na pandemia: do planejamento à implementação da mudança

24 agosto 2021 | Gestão Escolar

Confira orientações para a elaboração do Plano de Ação de Retomada das Atividades Pedagógicas Presenciais

Iniciamos uma série de reflexões sobre a importância do PPP como guia de uma comunidade educativa aprendente. Tem-se por suposto a necessidade de tomar ideias e práticas pedagógicas como insumos para um processo de debate pedagógico e de formação continuada dos educadores na escola, pois como observam Gauthier e Tardif (2010, p. 486), “um reservatório de conhecimentos ‘bem aprovisionado’ será um triunfo precioso para os docentes que, em sua prática, procuram soluções apropriadas para seus problemas”.

No contexto marcado por imensos desafios trazidos pela pandemia da Covid-19, a escola se vê frente à necessidade de continuar com ações emergenciais mediadas pelo ensino remoto para mitigar os efeitos do distanciamento social no aprendizado dos estudantes, e, ao mesmo tempo, de planejar a retomada das atividades pedagógicas presenciais em estilo híbrido, conjugando ações presenciais e remotas.

Enfrentar a crise e cuidar das pessoas

Entre os grandes aprendizados e exigências que a vivência desta situação de pandemia nos tem possibilitado, enfatizam-se a necessidade de encontrarmos maneiras para enfrentar conjuntamente estes desafios e de colocar como prioridade o cuidado das pessoas em razão dos impactos adversos na saúde mental, emocional e corporal de professores, estudantes e famílias.

Impõem-se à escola os desafios de garantir a continuidade do desenvolvimento e das aprendizagens dos estudantes, de alinhar suas ações com a comunidade local, de promover a formação dos professores para atuarem nesses novos contextos de ensinar, aprender e conviver, e de acolher e orientar as famílias nesta tarefa sempre compartilhada de manutenção das rotinas e vínculos de crianças e adolescentes com a escola e apoiá-los em suas aprendizagens.

Planejar a mudança

Planejar a mudança se torna uma prioridade para as escolas, hoje. Implica refletir e projetar desde a reorganização do calendário até os cuidados de biossegurança, higiene, circulação e distanciamento interpessoal nos ambientes pedagógicos, como também sobre questões como o acolhimento socioemocional de professores, estudantes e famílias, a avaliação diagnóstica e os programas de recuperação das aprendizagens e sobre os processos de comunicação com a comunidade educativa.

Outro aprendizado importante é que nos tem ficado claro que a retomada das atividades escolares presenciais não se dará desde o ponto de onde ‘paramos’ em março. Exigirá, sim, um plano de ações com diferentes frentes de atuação e com intensa articulação com os contextos locais e os protocolos sanitários dos municípios, prevendo uma retomada gradual das atividades presenciais em concomitância com atividades remotas – o modelo híbrido que se vai instaurando –, a reorganização dos calendários escolares e um processo de avaliação diagnóstica com vistas ao estabelecimento de um amplo programa de recuperação das aprendizagens.

Implementando a mudança

Estamos diante da necessidade de exercermos nossas escolhas e enfrentarmos a crise de forma proativa, entendendo-a enquanto possibilidade de transformação, com atenção aos contextos e sofrimentos das pessoas nas diferentes situações provocadas pela pandemia, mas também com atenção à natureza e qualidade das respostas que cada um de nós, educadores, estudantes e famílias ensaiamos frente a elas e que podem, por isso, constituírem-se em verdadeiro impulso para mudanças efetivas nos sistemas educacionais, na relação dos professores com o ensinar, dos estudantes com o aprender e das famílias com a escola e seus processos.

Mudanças estas já sinalizadas e aguardadas a algum tempo como o protagonismo dos estudantes, as metodologias ativas de ensino e aprendizagem, o fortalecimento da relação de parceria entre escola e família, e a articulação das atividades pedagógicas com mediação de tecnologias digitais de informação e comunicação como princípios de uma nova cultura da escola, e que implicam também o desafio de garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento a cada um dos estudantes, com especial atenção e cuidado com aqueles que apresentam dificuldades de ordem pedagógica ou de acesso às tecnologias digitais.

Com vistas a auxiliar a escola neste planejamento da mudança, apresentamos um conjunto de orientações para a elaboração do Plano de Ação de retomada das atividades pedagógicas presenciais. Este material consta de três fichas (que podem ser acessadas e baixadas nos links abaixo) e foi elaborado a partir das diretrizes legais emanadas dos órgãos oficiais (MEC, CNE) e também de protocolos sugeridos por outras instituições, com o objetivo de servirem de apoio e referenciais para a construção do plano de ação da escola.

Fichas para encontros pedagógicos

Na ficha 1, elaborada com o intuito de fornecer elementos para o estudo das equipes pedagógicas, você encontra os marcos legais e pedagógicos para a elaboração do plano de ação da escola:

Ficha 1-Marcos legais e pedagógicos

A ficha 2 é um material complementar com um resumo dos elementos centrais para compor o plano de ação da escola, uma sugestão de roteiro e espaço para anotações dos participantes da reunião pedagógica:

Ficha 2-Sugestão de roteiro do plano de ação

E a ficha 3 constitui um arquivo de texto customizável pela escola com um roteiro para o Plano de Ação nas dimensões da formação, dos cuidados com a saúde e higiene, medidas pedagógicas e comunicação:

Ficha 3_Orientações para elaboração do plano de retomada aulas presenciais_Flávio_AP-SPE

Referências:

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CATÓLICA. Protocolo ANEC de retorno às aulas presenciais. Brasília: ANEC, 2020.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 1996, de diretrizes e bases da educação nacional.

BRASIL. Medida Provisória nº 934, de 1º de abril de 2020. Estabelece normas excepcionais sobre o ano letivo da educação básica e do ensino superior decorrentes das medidas para enfrentamento da situação de emergência de saúde pública de que trata a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Disponível em : http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida-provisoria-n-934-de-1-de-abril-de-2020-250710591 Acesso em 25 jun. 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.565, 18/06/2020: estabelece orientações gerais visando à prevenção, ao controle e à mitigação da transmissão da COVID-19, e à promoção da saúde física e mental da população brasileira, de forma a contribuir com as ações para a retomada segura das atividades e o convívio social seguro. Disponível em: http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-1.565-de-18-de-junho-de-2020-262408151 Acesso em 22 jun. 2020.

Conselho Nacional de Secretários de Educação. Diretrizes para protocolo de retorno às aulas presenciais. Brasília: CONSED, 2020.

GAUTHIER, Clermont; TARDIF, Maurice. (Orgs.). A Pedagogia: teorias e práticas da Antiguidade aos nossos dias. Petrópolis: Vozes, 2010.

TODOS PELA EDUCAÇÃO. Nota técnica: o retorno às aulas presenciais no contexto da pandemia da Covid-19: Contribuições do Todos Pela Educação para qualificar o debate público e apoiar os gestores frente ao futuro processo de reabertura das escolas São Paulo: Todos Pela Educação, maio de 2020. Disponível em: https://www.todospelaeducacao.org.br/_uploads/_posts/433.pdf?1194110764 Acesso em 22 jun. 2020.

F004_ ©Shutterstock/Halfpoint